Pelos descaminhos dos “Sertões da Mantiqueira”, tropeiros e viajantes aventuravam-se entre as idas e vidas em direção às minas de Vila Rica e São João del Rei. Um destemido português tomava para sí, em meio aos ataques dos índios, essas terras onde hoje porspera a Bom Jardim de Minas.

    Depois do ouro, da lavra da terra e da ordenha do leite vieram outros rumos com os trilhos do trem.
Fundação da cidade

Coronel Antonio Carlos de Lacerda, 1776

Localizado na mesorregião sul/sudoeste de Minas Gerais, o município de Bom Jardim de Minas tem seu histórico associado aos primeiros processos de fixação na região durante o período colonial. 

Durante o povoamento e o crescimento do estado de Minas Gerais, em nossa região os municípios mais antigos são: São João del Rei, Rio Preto e Aiuruoca. Ao entorno destas cidades havia as terras, vilas e distritos pertencentes aos respectivos municípios. 

 

Com o passar do tempo vilas foram elevadas a distritos e distritos elevados a municípios. Nossas terras já fizeram parte de Rio Preto, Aiuruoca e Andrelândia. A região onde atualmente se localiza Bom Jardim de Minas era habitada pelos índios Puris, que viviam na região da Serra da Mantiqueira. 

Por volta de 1760, houve o início da ocupação da região por colonizadores, entre os quais o português Coronel Antônio Correa de Lacerda e sua família. Após se estabelecerem na região, fundaram a Colônia de Campo Vermelho (estrada para a Boca do Mato), próximo à atual sede municipal. Esta Colônia foi atacada por uma tribo de indígenas que habitava a região, tendo durante o ataque sido massacrado um de seus filhos. 

 

Em meados do século XVIII, o Coronel Antônio Correa de Lacerda com sua família e escravos se fixaram nas proximidades do córrego do milho branco, afluente do Rio Grande, aos pés do Morro do Caxambu, fundando a antiga Fazenda do Bom Jardim, nome atribuído ao belo jardim existente no local. 

A região, povoada por índios puris, servia como local de passagem de tropeiros e viajantes em direção às minas de Vila Rica e São João del Rei. Com a chegada da família do Coronel, a produção agrícola e a pecuária leiteira foram estabelecidas, consolidando-se como importantes práticas ainda nos dias atuais. 

 

Em 1770, a edificação da capela (antiga Matriz) tornou-se o marco da fé católica do local, além de um referencial geográfico. Durante a viagem por Minas Gerais, o francês Auguste Saint-Hilaire relata a presença da capela no “alto da colina”, quebrando a monotonia da paisagem. Em 1781, a primitiva capela recebe a imagem do Senhor Bom Jesus do Matozinhos, do qual o Coronel era devoto. Esculpida com quatro cravos, características típicas do século XVIII. 

Em 1794, com a morte de Antônio Correa de Lacerda a Fazenda do Bom Jardim e os bens integrados passaram aos cuidados de seus herdeiros, entre eles: Ana de Souza Guarda, Fernando Afonso Correa de Lacerda, Inácia Cateana de Souza da Guarda e Lacerda, Cândida Augusta de Lacerda, José Antônio Correa de Lacerda, José Luís Correa de Lacerda e João Rodrigo Correa de Lacerda 

Com as doações de pequenas propriedades nas proximidades da capela e com as divisões entre os herdeiros do Coronel, da antiga fazenda principiou-se o povoado de Bom Jardim. 

Anteriormente ao século XVIII, esta região era denominada de “Sertão da Mantiqueira” e muito pouco povoada. Com a descoberta do ouro em Minas Gerais, Bom Jardim passou a ser um local de passagem de interessados no metal precioso. Inicialmente tentaram a exploração no Rio Grande, porem sem muito êxito. Onde se localiza a sede do município de Bom Jardim, pesquisas comprovam que já foi lugar de passagem há muitos anos atrás.

A partir da Fazenda do Bom Jardim, surgiu em 1856 o Arraial do Senhor Bom Jesus do Bom Jardim, pertencendo ao município de Rio Preto. 

Em 1891 foi criado do Distrito de Bom Jesus do Bom Jardim, integrado a Aiuruoca e, posteriormente, em 1911, figurando como distrito do Turvo (Atual município de Andrelândia). Em 7 de setembro de 1923, passou a se denominar-se distrito "Bom Jardim", continuando a pertencer ao município de Turvo. Até que em 17 de dezembro de1938 é elevado à categoria de município com a denominação de Bom Jardim, adotando Bom Jardim de Minas a partir de 1943. O município de Bom Jardim possuía os Distrito de Taboão e Distrito de Arantina, sendo que em 30 de dezembro de 1962 ocorre a emancipação de Arantina. 

Na década de 1970 com a chegada da Ferrovia do Aço e a construção da BR 267 houve um desenvolvimento grande crescimento de casas e melhorou a economia do município 

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O antigo ramal Lima Duarte / Bom Jardim 

 

A estação ferroviária de Lima Duarte foi inaugurada em 1930. O ramal, projetado para alcançar Bom Jardim, e ali se unir à Rede Mineira de Viação, ficou interrompido em Lima Duarte. Por 20 anos as obras ficaram paradas, apesar de várias gestões das autoridades municipais junto aos governos Estadual e Federal.

 

Finalmente em 1945, foi dada pelo General Raimundo Sampaio, representante do Presidente Getúlio Vargas, a primeira picaretada da construção do novo trecho. Quinze anos depois ainda não estava terminada a ligação em virtude de sua parcial paralisação, desde 1955, durante o Governo Café Filho. É interessante destacar que o motivo da interrupção da construção do trecho Lima Duarte – Bom Jardim estava de fato dos governantes não terem demonstrado qualquer interesse na realização de obras numa região sem recursos econômicos como esta. 

 

Hoje este ramal é a estrada que sai de Bom Jardim passa pela Toca do Bichinho, vai margeando o Rio Grande, Dois Corregos, Capoeira Grande, Trevo do Souza do Rio Grande, Trevo de São Domingos da Bocaina, Rosa Gomes e Lima Duarte, 62 kms de estrada 

 

A estação de Bom Jardim de Minas foi inaugurada em 1897, como ponta de linha do trecho que estava sendo construído desde Santa Rita de Jacutinga. Era toda em pinho de riga. Somente em 1901 a linha foi prolongada até Livramento (Liberdade), onde apenas em 1910 seria unida a Encruzilhada(Cruzília), que era até onde chegava a linha vinda de Soledade. 

 

Mais tarde, em Bom Jardim também se encontravam a Linha da Barra e um curto ramal que unia a estação à estação de Arantina, na linha-tronco. Até 1977, os trens de passageiros ainda circulavam pela linha, embora desde 1972, somente entre Aiuruoca e a própria Bom Jardim de Minas. Em 17/11/1980, a estação foi totalmente destruída por um incêndio. 

A antiga estação

Histórias sobre trilhos

 

Conheça tudo sobre Bom Jardim de Minas

História

Fonte: Felipe Faria Teixeira - Turismólogo

A Estrada Real é um conceito amplo que designava, nos séculos XVII, XVIII e XIX, as várias estradas públicas administradas pelo Governo Português. Assim, ela abrange todos os antigos caminhos que em tempos passados foram percorridos por bandeirantes, tropeiros, índios, comerciantes e aventureiros nas capitanias das Minas Gerais, de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia etc. Na região sudeste a Estrada Real ligava as áreas de produção de ouro (Ouro Preto) e diamantes (Diamantina) aos portos de Parati e diretamente ao Rio de Janeiro. 

 

Os dois mais conhecidos caminhos que integram o complexo emaranhado de vias de comunicação coloniais são os seguintes: a) o Caminho Velho, que ligava São Paulo e Rio de Janeiro às minas, passando por Parati, Taubaté, Guaratinguetá, Baependi, Carrancas e São João del-Rei; b) o Caminho Novo, concluído em 1725, que passou a substituir o Caminho Velho como rota de acesso do Rio de Janeiro às minas de Ouro Preto, passando por Paraíba do Sul, Matias Barbosa, Juiz de Fora, Barbacena, Conselheiro Lafaiete e Ouro Branco. 

 

Esses caminhos eram fiscalizados e policiados pela Coroa portuguesa, que neles instalava postos de controle do tráfego de pessoas, animais, mercadorias e minerais - os chamados registros -, onde se pagavam taxas devidas ao Estado e se verificavam documentos dos viajantes. 

                                O Caminho do Comércio

 

Um trecho importante da Estrada Real, mas ainda pouco pesquisado e explorado turisticamente, é o que se denominava “Caminho do Comércio” ou “Caminho do Rio Preto”, uma variante que foi aberta por volta do ano de 1813 para facilitar o trânsito de comerciantes e tropeiros entre São João Del Rei e o Rio de Janeiro. 

Essa rota, que partia do Caminho Novo em trecho compreendido entre os atuais municípios de Pati do Alferes – RJ e Paraíba do Sul – RJ, rumava em direção a Valença-RJ, depois seguia pelos antigos arraiais mineiros de Rio Preto, Bom Jardim, Turvo (atual Andrelândia), Madre de Deus, Rio das Mortes e, finalmente, chegava à Vila de São João Del-Rei. 

Tratava-se de uma via bastante movimentada e importante, sendo que pela mesma passou em 1819 o botânico francês Auguste de Saint-Hilaire em uma de suas incursões científicas pelo interior do país, com destino às nascentes do Rio São Francisco. Saint-Hilaire anotou em seu diário que a estrada era utilizada sobretudo para a condução de bois e porcos que eram levados da antiga Comarca do Rio das Mortes (sediada em São João Del-Rei) para abastecer o Rio de Janeiro e que tal caminho era muito mais curto do que qualquer outro. 

A observação de Saint-Hilaire ajuda esclarecer a função de alguns curiosos vestígios ainda existentes na região de Andrelândia, onde se podem visualizar pontos em que a antiga estrada, com alguns metros de largura, era delimitada lateralmente por profundos e largos valos paralelos cavados na terra certamente para facilitar a condução dos animais, que ante os obstáculos laterais seguiam pelo leito da estrada sem possibilidade de extravio, o que facilitava em muito os trabalhos dos tropeiros e tocadores de bois e porcos. 

Com a chegada da estrada de ferro a RMV (Rede mineira de Viação) o arraial foi se desenvolvendo chegando comércios, funcionários da ferrovia e o desenvolvimento da agropecuária. 

 

A Estrada Real